Movin' Up de casa nova!

0

Written on 14:18:00 by Maurício Angelo

Se você chegou ao site através do endereço .blogspot.com, acesse a Revista Movin' Up na sua nova casa e layout:

www.revistamovinup.com

Abraço!

Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

Month Off

0

Written on 16:40:00 by Maurício Angelo

Saudações,


Como praticamente estarei de férias em julho, tirando um mês da minha vida para fazer outras coisas que não necessariamente produzir conteúdo jornalístico e de assessoria 25 horas por dia, e alimentarei este site de modo esporádico, quando tiver tempo e a coisa for especial e realmente pedir, coloco abaixo os links diretos (para você não ter que procurar em páginas e páginas) das principais matérias já publicadas. Tem muita coisa interessante aí. Bon apetit!


Especial: Movin' Up #01 - Como você enxerga a música?


Especial: Movin' Up #02 - Pseudo-críticos, leitores e músicos


Especial: 2003-2008 - O Novo Mercado da Música


Especial: Entrevistas - Cenário Indie no Brasil


Especial: Jornalismo - Nas Entrelinhas do Caos


Especial: 40 Anos de Maio de 68: A Reflexão Não Será Televisionada


Entrevista: Herod Layne - Criatividade no Cenário Post Rock


Entrevista: Nuda - Cores, Sons, Personalidade


Entrevista: Nocet - 20 Anos de Rock N' Roll


Review de CD: Bellrays - Hard Sweet And Sticky


Review de CD: Scarlett Johansson - Anywhere I Lay My Head


Single: Lily Allen - I Don't Know/I Could Say


Single: Coldplay - Violet Hill


Single: Wilco - Glad It's Over


Single: Primal Scream - Beautiful Future


Review de Show: Nuda no Festival Outro Rock - Belo Horizonte/MG - 07.06.08


Listas: 100 melhores filmes da história por gênero


Listas: 50 hinos da música indie

Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

40 anos de Maio 68: a reflexão não será televisionada

0

Written on 12:02:00 by Maurício Angelo

, "comemorar" maio de 68 é uma situação estranha. E este texto não começa com uma vírgula, herança direta do artifício usado por Clarice Lispector em algumas de suas obras, por acaso. A vírgula, logo no início, sem aviso prévio, simboliza que algo já aconteceu antes...alguma coisa esteve presente na experiência, na teoria e no imaginário social para chegarmos do ponto onde esta reflexão se inicia.




O que é a TV? Uma tela inócua de representação do mundo? Entretenimento, notícia, cultura? É um meio com vida própria? Teria ela identidade política? Nenhuma das primeiras respostas que possam vir à mente devem, a princípio, serem aceitas. Para o teórico da comunicação Joshua Meyrowitz, autor do premiado "O Impacto Da Mídia Eletrônica no Comportamento Social", a TV foi um dos principais elementos responsáveis pela onda de revoltas que culminaram no maio de 68. Como nova mídia, ela rompia com a relação entre mitos e realidade social paulatina (e separada), com que as crianças e por conseguinte a população, absorviam estes dois aspectos, que agora eram despejados de uma vez. O mundo agora explodia em calor, caos, contradições, imagens, sons, atmosferas, cores...




Após um período de vislumbramento, a TV passou a ser atacada por manipular (conceito clichê-fetichista explorado à exaustão) esta mesma realidade que ajudou a criar. Haviam achado a causa do mal-estar do século. Em resposta à TV, os jovens de 68 tentaram criar seus próprios meios de expressão: grafites nas ruas de Paris, os cartazes em diversas revoltas juvenis, o teatro de guerrilha, os sit-ins, love-ins, teach-ins, festivais hippies, festivais de rock, experiências coletivas com drogas, experiências místicas, show de luzes psicodélicas, shows multimídias, imprensa underground, psicodramas coletivos em instituições culturais ocupadas pelos movimentos juvenis, arte gráfica, canções provocativas nas manifestações, etc (GROPPO, 2001).




40 anos depois, absorvidos pelo establishment - termo anglicano que sugere muito mais profundidade do que o simples "sistema" - sobrou apenas o espetáculo. Da sombria teletela de George Orwell ao próprio Guy Debord, ele mesmo - ironia - espetacularizado e tornado "pop", de muitas releituras duvidosas, a TV não só passou a ser como permanece o meio de comunicação mais popular e de maior penetração na sociedade.




Maio de 68 não teria apelo suficiente para ganhar espaço nos principais telejornais e programas da TV brasileira? No ano em que o acontecimento inteira 4 décadas, não ganhamos muito mais que o silêncio. Ao contrário de revistas, jornais e a internet, que dedicaram algum momento para explorar temas relacionados ao maio vermelho, o que se vê é uma omissão dos canais de televisão aberta no Brasil, bem como uma cobertura muito tímida dos fechados. Globo/Globo News, Bandeirantes, SBT, Rede TV, Record, GNT...muito pouco, ou nada, se foi falado sobre a revolta que, em grande parte, moldou a sociedade que temos hoje. O que eles temem? O que há de tão inflamável?




Não resta muito com o que se preocupar. A "contracultura" já foi exaustivamente transformada em venda de discos, revistas, vestidos de moda, tráfico de drogas e pornografia; o que era underground tornou-se um crescente novo mercado nos Estados Unidos; houve incremento na indústria de livros com a demanda por obras de Marx, Lenin, Trotsky, Mao e de novos pensadores radicais como Fanon, Reich, Goodman, Wright Mills, Marcuse e Debray - além do assédio aos líderes estudantis Cohn-Bendit e Dutschke para a edição de seus pensamentos à época; as gírias e linguagem juvenis foram adotadas pela publicidade; a queda de tabus relativos à sexualidade transformaram-se em uma grande nova fonte de lucro, gerando verdadeiros complexos industriais em torno de revistas pornográficas e por aí se segue.





Cena do filme "The Wall", de Alan Parker





A mídia, claro, não só teve influência decisiva nisto, como já se cansou dela mesmo. "Papel social" é uma mentira bem contada - para quem quer acreditar - quando na verdade a visão mercantilista não é só alimentada, como regra. O que resta de crítica na TV brasileira hoje são iniciativas de programas como Observatório da Imprensa, Roda Viva e Provocações, todas veiculadas por uma emissora que ainda não definiu se é pública ou privada. Mas, na dúvida, é bom ficar em cima do muro: vende-se para os dois lados.




Este padrão de TV asséptica, acéfala, neutra e covarde, nivelada pela ausência de qualquer coisa que possa "comprometê-la", é tão fajuta e oca como a imensa parte do "jornalismo" que temos à disposição. Ela diz que é melhor esquecer maio de 68. É melhor esquecer porquê, pra ela, ele já não significa nada.


Debord disse logo nas primeiras páginas de "Sociedade do Espetáculo", segunda tese, que: A realidade considerada parcialmente desdobra-se na sua própria unidade geral enquanto pseudo-mundo à parte,objeto de exclusiva contemplação. A especialização das imagens do mundo encontra-se realizada no mundo da imagem autonomizada, onde o mentiroso mentiu a si próprio. O espetáculo em geral,como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.


Enquanto nos preocupamos em assistir, não sobra tempo para viver. A mídia televisiva omite-se porque nós permitimos. Ela não está preocupada em interpretar a realidade porque, como Maio de 68, tudo que interessava ser sugado já foi. No máximo, encarado como "matéria de agenda", os 40 anos do acontecimento se apequenam nas telas apertadas onde boa parte da população brasileira vê o mundo. É uma metáfora válida para como se encontra boa parte de nós, espectadores: diminutos, acomodados, esperando a ração midiática do dia. Afinal de contas, pensar dá trabalho. E quem tem tempo para uma bobagem dessas, não é mesmo?



Referências:


GROPPO, Luís Antônio. Mídia, Sociedade e Contracultura. In XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Campo Grande, MS, 2001.


DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Editora Contraponto. Rio de Janeiro, 1997.


Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

1 Mês de Movin' Up: Análise

0

Written on 12:21:00 by Maurício Angelo


Cheers!


Hoje, dia 19 de junho, completa 1 mês que o site está no ar. Rodando ainda em formato blog - pelo qual permanecerá durante um tempo - estes 30 dias me foram mais produtivos e interessantes do que esperava. Muito trabalho, ajustes técnicos, implantação de ferramentas, edições e reedições, todo um trabalho de base na web que o leitor não vê, várias mudanças de visual...começando, lentamente, sob muita "tentativa e erro", fazer a coisa acontecer.


Em 1 mês, foram 57 postagens e um equilíbrio muito grande entre o mundo pop de maneira geral e a cena brasileira, com 21 e 17 matérias respectivamente. De conteúdo especial tivemos um artigo sobre jornalismo, meu relato e minha crônica pessoal do meio, um review de show (o Nuda, de Recife, no Festival OutroRock em Belo Horizonte), duas resenhas de CD (Scarlett Johansson e Bellrays), 4 reviews de singles (Coldplay, Lily Allen, Primal Scream e Wilco) e três entrevistas: Herod Layne, de São Paulo, o Nuda e a Nocet, do Rio Grande do Sul, bandas de estilo completamente diferentes e que vão, literalmente, de uma ponta a outra do litoral brasileiro. Fora as já publicadas, 3 entrevistas estão prestes a sair do forno...duas nacionais, com bandas de destaques em áreas também distintas, e o debut internacional.


A primeira enquete-teste deu um resultado inesperado, sendo encerrada hoje dando lugar a uma nova com o seguinte retorno: 4 leitores (23%) disseram ouvir mais MPB, 3 pessoas (17%) apostaram num "outro", que é sempre intrigante, rock, pop, samba e cena brasileira empataram com 2 votos cada (11%) e dois solitários escolheram jazz e hardcore. Apesar da amostra baixa, agradeço a quem votou - natural por um sítio ainda tão incipiente - fico feliz em constatar o espectro amplo que rondam os leitores da Movin' Up. Um erro foi ter limitado a escolha a um único estilo. A nova enquete visa medir a recepção que uma mídia física ainda tem no público. Vote ali do lado.


Aos poucos as coisas vão acontecendo, com várias mudanças e, trabalharei para, levar um conteúdo diferenciado a quem chega por aqui. E vamos tocar o barco porque idéias é o que não faltam! Até breve.

Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

Movin' Up #02: Pseudo-críticos, pseudo-leitores, pseudo-músicos

0

Written on 21:12:00 by Maurício Angelo

A número dois pode ser lida com todas as imagens e a formatação original neste link. A matéria é de 20 de Abril de 2008.


Pseudo-críticos, pseudo-leitores, pseudo-músicos


Cuidado com o que fala, filho. Você será mal interpretado. Não é uma possibilidade, mas uma certeza: os meandros do processo cognitivo que existem entre a expressão de uma idéia e a sua captação pelo leitor sem dúvida levarão à distorções, desencontros, pontas soltas, arestas, absurdos, expectativas, decepções, cólera, desprezo, admiração - um turbilhão de sentimentos, possibilidades, inquietações.Agora. Está ocorrendo neste momento.


"Pseudo" é um termo pop. Bastante adorado. Parece que quem recorre a ele, para chamar alguém de "pseudo-alguma coisa", julga-se investido de uma autoridade ímpar, de uma espécie de qualificação especial que, "naturalmente", coloca-o acima daquele a quem acusou. Ora, presume-se que, se tal pessoa foi capaz de indicar outra como "pseudo", é porque ela automaticamente está apta a ser um exemplar genuíno daquilo e, por isso, não suporta a existência daquele que rebaixa a categoria a que pertence.


Pseudo significa falso. Tudo aquilo que não chega a ser, por inteiro, o que se pretende. É algo pretenso a, que aspira uma posição que ainda não alcançou e que ele crê que já possui. Um embuste. Uma enganação. Algo que não merece crédito e confiança, não vale a pena.


Apontar o dedo e gritar infantilmente "pseudo-intelectual", "pseudo-pai", "pseudo-escritor", "pseudo-qualquer coisa" é o argumento mais fácil que se dispõe para tentar desqualificar algo de modo elegante. De uma maneira, ironicamente falando, polida. A própria idéia de alguém que usa a palavra é de um ser que não se rebaixa a xingamentos injustificáveis e, como já dito, quer imbuir-se da capacidade mínima de "tecer" uma "crítica".


Parece no mínimo perigoso, para usar um eufemismo, imputar a alcunha de pseudo. Porque parte-se do pressuposto de que você sabe o que é real, o que seria um perfeito exemplar daquela espécie. Para dizermos que algo é falso, precisamos primeiro saber o que é "verdadeiro". O que seria a idéia perfeita e inquestionável de um "verdadeiro intelectual", um "verdadeiro músico". Quais as características que este ser precisa ter, o que o leva a tal posto, como sua constituição atinge aquela idéia pré-concebida de que, agora sim, aleluia, ele é um representante "autêntico" daquilo. Se você é capaz de fazê-lo, leitor, considere-se bastante invejado por mim. Se alguém tem o dom de, no alto da arrogância e do conhecimento, poder dizer o que é real e o que não é, tal ser sem dúvida merece mais atenção.


E apenas porque sou alguém muito arrogante, estúpido e inconseqüente, afirmo: em essência, que não existe, todos somos pseudos. Representações de. Arremedos de profissionais, pensadores, leitores, músicos, seres humanos. Espectros frágeis e pálidos de convenções, autenticações tacitamente acordadas, imposições, conceitos "puros" e inalcançáveis de algo que precisamos ser e nunca conseguimos. Nem conseguiremos. Nossa eterna frustração parte da ânsia de encontrar o mundo idílico das realizações plenas. A idéia de. E a idéia de algo nunca é a forma como ela se apresenta na prática. E, sendo o mundo composto de ilusões e prateleiras...pronto, formatado para, esperando apenas o encaixe, chega a ser cômico que sejamos tão ferozes na ânsia de conseguir espaço nessa brincadeira.


O leitor mais impaciente e "perspicaz" deve estar pensando agora: mas que bela porcaria, entro num site de rock para me manter informado e encontro um jornalista babaca bancando o filósofo. Sugestão de ofensa: pseudo-excremento.


Difícil conseguir ir mais baixo que isto. E, na verdade, é um bela sentença. Beira a poesia.


Não me importa. Achando ou não qualquer impropério desta ou de outras naturezas, não faz a mínima diferença. E apenas porque tenho prazer em ser chato e cutucar a ferida, porque disponho do meu tempo para almejar fazer com que pensemos um pouco mais, prossigo. Não há dúvida: tenho orgulho da minha ignorância. Aquele papo socrático de "só sei que nada sei" é o que me permite reconhecer minha infinita estupidez e, a partir disto, tentar, pelo menos tentar, melhorar e aprender algo, não sendo tão sendo t permite reconhecer minha infinita estupidez e, a partir disto, tentar, pelo menos tentar, melhorar e aprender algo, no estúpido, medíocre, desonesto e arrogante. Repito: tentar.


Sejamos francos uma vez na vida. Não existem leitores, músicos, críticos, jornalistas, pesquisadores, médicos, coveiros, atletas, banqueiros, floristas...que mereçam qualquer alcunha. Se somos todos pseudo - eu incluso - é porque passamos a vida inteira aspirando a. Achamos que sabemos ler. Achamos que podemos tecer uma "crítica" sobre alguma coisa. Dizer o que presta e o que não. Representando uma impossibilidade que, pasmem, nos deixa frustrados, vergonhosos, aflitos, infelizes, etc.


Seria mais belo afirmar: não sou coisa alguma. Nem quero ser. No máximo, posso estar, sob condições muito específicas, estar sendo algo. Mas nunca o mesmo.


A idéia é absurda e não aceitamos simplesmente porque o mais díficil é lidar com a impermanência da vida. A constante transformação e incerteza. Precisamos de parâmetros, bases sólidas, seguranças, conforto, dogmas, axiomas, padrões, concepções, conceitos fechados, ao mesmo tempo em que tudo explode em calor e frio, além de inúmeras outras sensações e mudanças, através de nós. O humano vive e sempre viverá neste paradoxo.


Tragamos então para o mundo da música, que é onde nos encontramos. Honestamente, 99% dos críticos que eu conheço/leio/descubro não entendem absolutamente NADA de música. E aqui repito pela última vez neste texto, o resto acrescentem por conta própria. Novamente: eu incluso. Não passam de embusteiros, uns com maior talento, outros com menos. Alguns, no entanto, escrevem razoavelmente bem, o que faz com que seu repertório de obviedades soem belos e convincentes. Há os que caem em reflexões mais elaboradas, acertando eventualmente, sem contudo não fazer a mínima idéia do que quis dizer e totalmente cônscio da bobagem que está ali. Outros desenvolvem uma capacidade admirável de escrever o básico com um apelo interessante. Há uns bons medianos, que tem lá lapsos de criatividade e compensam o resto com esforço e pesquisa. E a imensa maioria é de uma pavorosidade assustadora.


Não sabem de música, nem de língua portuguesa, nem de crítica, de cultura, nada. 75% (num prospecto otimista) são amadores. Jornalistas formados de fato constituem uma exceção neste meio - e em alguns nichos são verdadeira raridade. Boa parte destes "jornalistas", contudo, também não fazem muito melhor que aqueles que não são. Treinados desde sempre para serem macaquitos fiéis e obedientes a regras e técnicas, não sobra tempo, não tem a capacidade, o interesse e/ou esquecem de pensar, buscar, descobrir, ler, ver, ouvir...


Em contrapartida, 101% dos leitores, do "público", acha que sabe ler. Acha. E aí você soma um cenário desolador de um lado, com produtores de conteúdo patéticos e medonhos, com leitores estúpidos e arrogantes, ficando o resultado por sua própria conta. Eu leio há algum tempo e até hoje não aprendi. Escrevo há alguns anos e ainda estou aprendendo a. Músicos? O que seria um "músico de verdade"? Quantos deles "sabem o que estão fazendo"? E, quantos daqueles que "não sabem o que estão fazendo", fazem muito melhor do que aqueles que acham que sabem? O que é música pra você? Como você a sente? E/ou, quais estilos consome?


Vou além: por excelência, pela própria "natureza" da profissão, o jornalista é um pseudo-tudo. Possui um conhecimento muito superficial, pontual e resenhístico da maioria dos assuntos que aborda - ou é obrigado a abordar - criando uma inteligência no mínimo duvidosa e residual, quase descartável e comprometida miseravelmente com o tempo (e a pressão de), sem necessidade de reflexão e muitas vezes limado se é atrevido a tanto. Informação rápida e de alto consumo. O que, óbvio, sendo bastante taxativo, acaba nivelando a classe por baixo, daí que a própria capacidade de explanar brevemente torna-se identificável pela qualidade do que ele faz. É preciso talento, tato, dedicação e inteligência para ser ignorante. Até para isso é necessário.


Num cenário mais otimista, dá pra dizer que há bastante gente "boa" por aí. Escribas com um maior senso do que fazem e um maior background cultural nas costas - o que facilita o processo de comparações, valoração, balanço, avaliação. Bem como leitores mais preparados, capazes de pensar, que diminuem a intensidade do ruído entre o que ele tem contato e como absorve.


Se somos todos burros, estúpidos e limitados, além de pretensiosos, pseudos e reféns de maniqueísmos e sentenças, bem, vamos tentar viver neste mundinho glorioso. É divertido, afinal. Temos boas opções nas prateleiras reais e virtuais por aí. Bom, ressalta-se, para que o meu filtro, meu background, meus ouvidos e minha pretensa posição de tentar ser crítico de alguma coisa - que, claro, parte de alguns princípios e de uma experiência "real" - diz que é.


Na verdade, que não existe, um bom crítico é aquele que sabe enganar seu público com argumentos. E este o aceita, mesmo cônscio das falácias, porque, afinal, aquilo soa bem, não conseguiriam fazer melhor.


Pra mim, me satisfaço se incomodar. Num sentido construtivo ou não, "positivo" ou "negativo". Se as bobagens que digo servirem para fazer alguém pensar e dar dicas interessantes de o que quer que seja, fazendo-o buscar outras coisas, caindo num círculo virtuoso, leve quando tempo levar e independente dos tropeços, tá ótimo. Nunca se sabe o que vai acontecer. Viva os "autênticos pseudos". Que a infinda e maravilhosa ignorância coletiva sirva para alguma coisa. Depende de nós. Sem excusas. Vamos agora ao que interessa.


***************


A seguir, uma formatação simples: uma banda, uma descrição, um site onde você poderá ouvir o som. Alguns nomes que, parece-me, merecem atenção no cenário alternativo. Depois, cinco brevíssimas resenhas-comentários sobre alguns lançamentos recentes. Por último, o meu top 100 2007 com álbuns que foram lançados ano passado. Aproveitem e divirtam-se.


***************


Cenário Alternativo Brasileiro - Alguns Destaques


Nocet


Cidade: Santa Maria - RS


Estilo: Rock


O que é? O baixista e vocalista Marcus Molina explica "o nome vem do latim e significa "nocivo". Alguns ditados daquela 'língua morta' referenciaram a escolha do nome, tipo: "Quod abunda no nocet" - o tradicional "o que abunda não prejudica" e, "Quod nocet saep docet" - "aquilo que é nocivo, ensina". Sem muita preocupação com rótulos, a Nocet se define como um "Power Trio" que tem o rock como essência das suas composições e, que dispensa a seus shows energia e volume 'no talo'. Oferecemos uma 'possibilidade de cura para a surdez cultural' que barbariza o mundo em surtos periódicos."


Ouça: www.myspace.com/nocet


Herod Layne


Cidade: São Paulo - SP


Estilo: Post Rock


O que é? O guitarrista Sachalf cita alguns feitos e tenta resumir a sonoridade: "Em 2007, Herod Layne participou do concurso "Arnold Layne", competição


mundial online promovida por David Gilmour, e foi classificada entre as dez melhores versões para a canção. O estilo da banda abrange diversas influências que vão do space-rock do Pink Floyd ao post-rock do Mogwai, passando pelo som anárquico do Godspeed You! Black Emperor, as ambiências do God Is An Astronaut e o noise do Sonic Youth. O objetivo da nossa música é levar ao ouvinte não mensagens diretas e explícitas, mas a oportunidade de introspectivamente conseguir extrair


do som o sentimento que melhor lhe convier. É uma música para ser ouvida e desfrutada com 100% de atenção.'


Ouça: www.myspace.com/herodlayne


Sibberia


Cidade: Aracaju - SE


Estilo: Pop/Rock


O que é? Ismael Vieira, baterista, resume: "Somos uma banda enraizada no pop rock nacional, porém que não se rende a modismos ou conceitos enlatados. Há uma clara busca a elementos vibrantes do rock'n roll e presentes não apenas nas melodias, mas também no cuidado todo especial com as letras , sempre buscando apresentar elementos poéticos. Acreditamos que para ser pop não precisa ser descartável, pode, e deve, ter conteúdo."


Ouça: www.palcomp3.com.br/sibberia


Ecos Falsos


Cidade: São Paulo - SP


Estilo: Indie


O que é? Gustavo Falso descreve a proposta da banda, bem humorada: "O Ecos Falsos é uma banda de rock, no sentido mais amplo do termo: fazem música urgente, ácida, crítica, às vezes amarga mas sempre feliz com o que faz. Gostariam, mas não atendem por nenhum gênero específico porque fazem música de acordo com o que sentem no momento: às vezes punk, às vezes Frank Zappa, às vezes Queens Of The Stone Age, às vezes pura sacanagem. Não se levam à sério como rockstars, mas defendem o que dizem e os fãs que conquistaram com suas ações, unhas e dentes. Não se parecem com nada à primeira ouvida, e por mais que isso os atrapalhe comercialmente, não saberiam fazer de outra forma. E como dá muito trabalho explicar tudo isso, inventaram um rótulo: pós-boyband. Porque, além de tudo, são uns gatos."


Ouça: www.myspace.com/ecosfalsos


Venus Volts


Cidade: Campinas - SP


Estilo: Indie Rock


O que é? Pelle, guitarra e vocal, dá sua palavra: "Venus volts é uma banda que investe em não ser aquilo que todos acham que é. O som vai remeter a várias influências/segmentos, mas o que a banda tem conseguido é não ser encaixada em nenhum desses segmentos, mostrando, assim, um som genuinamente próprio! As distorções do underground, flashs de psicodelismo, melodias suaves contrastando com outras mais nervosas, estão lá, combinando-se, mas tentando fugir do óbvio."


Ouça: www.myspace.com/venusvolts


Subtropicais


Cidade: Porto Alegre - RS


Estilo: Rock/Experimental


O que é? Leonardo Brawl, baixista, define: "Ao aproximar diferentes vertentes da música contemporânea, buscamos apresentar uma profunda fusão de estilos e ritmos da música brasileira sob uma base forte de rock, com grande naturalidade, competência e a sutileza de abusar da medida certa da experimentação."


Ouça: www.myspace.com/subtropicais


**************


Resenhas


Moby - Last Night - 2008 - *****


O melhor trabalho desde "Play", de 1999, parece ser a primeira coisa que vêm a cabeça de quem ouve este novo "Last Night". Não que isto seja exatamente um feito. Moby não andou tão inspirado desde lá. E olhe que eu tenho "Play" em muito boa conta. Pra ser sincero, considero um dos melhores álbuns de música eletrônica já lançados.


Last Night traz conexões com aquela pequena obra-prima. É Moby se retro-alimentando de seu melhor material, e experimentando novos ritmos e sons, sempre com aquela batida negra, por vezes dançante, outras melancólica, melodias belíssimas e envolventes, soul music, piano, cordas, vocais, uma ponte digna e absolutamente bem construída sob o que ele fazia uma década atrás, e para o que busca agora. Isto é o que os fãs do carequinha vegan polêmico estavam esperando. Suculento, de se lamber os dedos. E apertar "play" muitas vezes seguidas. ;)


Detalhe: o disco todo pode ser ouvido na íntegra no Myspace, disponibilizado pelo próprio artista.


Confira: www.myspace.com/moby


Morcheeba - Dive Deep - 2008 - ****


Sexto trabalho de estúdio dos ingleses, "Dive Deep" ainda é o Morcheeba achando seu caminho após a saída da vocalista Skye Edwards, em 2002, uma perda imensa.


Um dos principais - e melhores - nomes do trip hop, produziram alguns álbuns fundamentais do estilo, como "Who Can You Trust?" e "Big Calm". Para suprir a falta de Skye, uma série de participações especiais e vocais diferentes foram convidados. O resultado? Digno de constar na discografia com algum destaque e uma nova identidade que, óbvio, mantém muitas das características que os fizeram tão reconhecidos - downtempo, jazz, harmonias, ambientalizações envolventes - com uma aproximação talvez ainda maior ao hip hop, mas sem comprometer. "Riverbed", "Run Honey Run" e "One Love Karma" denotam que o grupo pode sobreviver bem sem uma de suas principais peças.


Myspace: www.myspace.com/morcheeba


Raconteurs - Consolers Of The Lonely - 2008 - ***


"Broken Boy Soldier" foi um dos maiores arrasa-quarteirão de 2006. O projeto paralelo de Jack White chamou a atenção e deu vida à figura de Brendan Benson, sendo bem recebido. Músicas safadamente rockers, com riffs pegajosos e melodias inspiradas mergulhadas numa camada pop sofisticada, flertando com outros estilos como o alt. country davam o tom da obra, que possuía faixas marcantes, cheias de um punch sussurrado, digamos. Desse modo, "Consolers Of The Lonely" é frustrante. Primeiro porque não tem a pegada do anterior, e seus melhores momentos são bem inferiores ao do álbum de estréia. A melodia veio desmesuradamente açucarada com as composições, parecem, no "automático", seguindo uma fórmula redonda e bem feita, mas que cansa.


Myspace: www.myspace.com/theraconteurs


A Silver Mt. Zion - 13 Blues For Thirteen Moons - 2008 - ***


Há vezes em que a música dita "de vanguarda", experimental, ou estranha, introspectiva, fragmentada, "avant-garde", se excede, tornando-se mais uma simulação, uma proposição de si mesma, do que aquilo que eles mesmos intentam como música. Formado por Efrim Menuck, Thierry Amar e Sophie Trudeau, três ex-integrantes do Godspeed You! Black Emperor - talvez a melhor e referência máxima do post-rock, bem como a que mais me encanta - o grupo, que atende por consideráveis variações de seu nome, enquadra-se em todos os termos citados no início e alguns outros. "13 Blues", com um foco mais pesado e "barulhento" que os antecessores, fica no meio do caminho. O excesso de vocais também incomoda, não apenas porque os tons são proposidatamente "diferentes", mas porque a "desarmonia orientada" não funcionou muito bem. Independente de qualquer escorregão, Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra La La Band é pra se ouvir com fone de ouvido.


Myspace: www.myspace.com/silvermtzion


Futureheads - This Is Not The World - 2008 - ****


Na onda revival do pós-punk, que já dura alguns anos e na qual o Gang Of Four é uma das maiores fontes de inspiração - para a nossa sorte - o Futureheads, que inclusive conta com a benção de Andy Gill, é um dos mais competentes. "This Is Not The World" têm todas as características do estilo supracitado, trazido e atualizado para o final da primeira década do século. Ross Millard, Dave e Barry Hyde e David Craig sugam descaradamente aquilo que bem lhes convém, e, mais importante, realizam um bom trabalho. Um dos casos em que a influência flagrante contribui positivamente para o resultado final, dado o talento e a capacidade daqueles que a executam. "The Beginning Of The Twist" - da série "fazemos títulos legais" - , "Think Tonight", "Hard To Bear" e "Everythings Changing Today" são motivos suficientes para destacá-los na cena, com seus refrães marcantes e timbres bem escolhidos, gostosos e energéticos.


Myspace: www.myspace.com/thefutureheads


***************


Top 100 - 2007


Abaixo listo 100 álbuns lançados em 2007 ouvidos por mim. Muita coisa teve que ficar de fora, e outros tantos não consegui ouvir. Embora já estejamos no segundo trimestre de 2008, meu objetivo com esta lista é, talvez, dar dicas de alguns nomes interessantes que os leitores possam procurar. A classificação é sempre reducionista e arbitrária, porém válida, já que torna possível para o público ter uma breve noção da minha impressão crítica de cada CD. Ao contrário de usar as tradicionais 5 estrelinhas em "péssimo, ruim, bom, etc", minha legenda deve ser interpretada da seguinte forma:


* - Esquecível e doloroso.


** - Duas ou três faixas se salvam, o resto agride.


*** - pode ser ótimo às vezes, mas fica no meio do caminho.


**** - aspirando ao olimpo, bem acima da média.


***** - Genial. Sublime. Clássico, moderno ou não.


Não houve preocupação em necessariamente listar primeiro os "melhores". Os álbuns estão dispostos de forma aleatória através das 100 posições, com a classificação falando por si.



1. Wilco - Sky Blue Sky (*****)


2. Radiohead - In Rainbows (*****)


3. Arcade Fire - Neon Bible(*****)


4. White Stripes - Icky Thump(****)


5. Air - Pocket Symphony (****)


6. LCD Soundsystem - Sound Of Silver (*****)


7. Burial - Untrue (****)


8. Underworld - Oblivion With Bells (****)


9. PJ Harvey - White Chalk (*****)


10. Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare (****)


11. Simian Mobile Disco - Attack Decay Sustain Release (****)


12. Manic Street Preaches - Send Away The Tigers (****)


13. Amy Winehouse - Back To Black (****)


14. Dark Tranquillity - Fiction (****)


15. Hurtmold - Hurtmold (*****)


16. God Is An Astronaut - Far From Refuge (****)


17. Interpol - Our Love To Admire (****)


18. Black Rebel Motorcycle Club - Baby 81 (***)


19. Explosions In The Sky - All Of A Sudden I Miss Everyone (***)


20. Carla Bruni - No Promises (****)


21. Robert Plant/Alisson Krauss - Rising Sand (****)


22. Megadeth - United Abominations (****)


23. Paradise Lost - In Réquiem (*****)


24. Yndi Halda - Enjoy Eternal Bliss (****)


25. Stereophonics - Pull The Pin (****)


26. Justice - Cross (****)


27. Do May Say Think - You, You're A History In A Rush (****)


28. Chemical Brothers - We Are The Night (***)


29. Neal Morse - Sola Scriptura (****)


30. Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris (***)


31. Ira! - Invisível DJ (****)


32. Nação Zumbi - Fome de Tudo (***)


33. Gui Boratto - Chromophobia (***)


34. Satanique Samba Trio - Sangrou (****)


35. Orquestra Imperial - Carnaval Só No Ano Que Vem (****)


36. Bon Iver - For Emma, Forever Ago (***)


37. Ben Harper - Lifeline (***)


38. Beirut - The Flying Club Cup (****)


39. Dream Theater - Systematic Chaos (****)


40. Symphony X - Paradise Lost (****)


41. Pain Of Salvation - Scarsick (***)


42. Napalm Death - Smear Campaign (****)


43. Ozzy Osbourne - Black Rain (****)


44. Dinossaur Jr. - Beyond (****)


45. Type O Negative - Dead Again (***)


46. Maroon 5 - It Won't Be Soon Before Long (***)


47. Bruce Springsteen - Magic (***)


48. Planet X - Quantum (****)


49. Marina de La Riva - Marina de La Riva (***)


50. Fino Coletivo - Fino Coletivo (****)


51. Travis - The Boy With No Name (***)


52. Kaiser Chiefs - Yours Truly, Angry Mob (***)


53. Smashing Pumpkins - Zeitgeist (**)


54. Rush - Snakes & Arrows (****)


55. WASP - Dominator (***)


56. Bloc Party - A Weekend In The City (***)


57. Klaxons - Myths Of The Near Future (***)


58. Feist - The Reminder (***)


59. Paul McCartney - Memory Almost Full (***)


60. Vanessa da Mata - Sim (****)


61. Rufus Wainwright - Release The Stars (***)


62. Beastie Boys - Mix Up (***)


63. Ministry - The Last Sucker (****)


64. Bebel Gilberto - Momento (****)


65. Akron/Family - Love Is Simple (****)


66. Hot Hot Heat - Happiness Ltd. (***)


67. Art Brut - It's A Bit Complicated (***)


68. Sodom - The Final Sign of Evil (****)


69. Eluvium - Copia (***)


70. Björk - Volta (***)


71. Nine Inch Nails - Year Zero (***)


72. Scorpions - Humanity Hour I (****)


73. Therion - Gothic Kaballah (****)


74. UDO - Mastercutor (***)


75. The Hives - The Black And White Album (***)


76. Stooges - The Weirdness (***)


77. Machine Head - The Blackening (****)


78. Silverchair - Young Modern (****)


79. Band Of Horses - Cease To Begin (***)


80. Paulinho da Viola - Acústico MTV (****)


81. Digitalism - Idealism (****)


82. Battles - Mirrored (*****)


83. Modest Mouse - We Were Dead Before The Ship Even Sank (***)


84. Super Furry Animals - Hey Venus (***)


85. Kings Of Leon - Because Of The Times (***)


86. Bad Brains - Build A Nation (**)


87. The Good The Bad & The Queen - The Good The Bad & The Queen (**)


88. King Diamond - Give Me Your Soul…Please (***)


89. Jorge Benjor - Recuerdos de Asunción 443 (***)


90. Bad Religion - New Maps Of Hell (***)


91. Europe - Secret Society (***)


92. Mukeka Di Rato - Carne (***)


93. Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience & Grace (***)


94. Porcupine Tree - Fear Of A Blank Planet (***)


95. Jesu - Conqueror (***)


96. Kanye West - Graduation (****)


97. Rakes - Ten New Messages (**)


98. Nego Moçambique - La Rumba Computer (***)


99. Ryan Adams - Easy Tiger (**)


100. Kamelot - The Ghost Opera (**)


Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

Movin' Up #01: Como você enxerga a música?

0

Written on 21:03:00 by Maurício Angelo

Resolvi postar aqui as duas edições da coluna Movin' Up publicadas no site Whiplash!. Não apenas porque exemplifica parte do espírito e da idéia por trás disso aqui, como simbolizam coisas importantes da mente do rapaz. Este número um também pode ser lido com todas as imagens e a formatação original neste link. A matéria é de 07 de Janeiro de 2008.


Como você enxerga a música?



Lá fora o tempo está nublado. As coisas ao redor de mim estão todas fora do lugar. Livros, DVD'S, CD'S, papéis, roupas, revistas, flyers, souvenirs. "Fora do lugar", talvez, seja apenas um sintoma de que, na verdade, elas já não tem espaço definido. Ao contrário: se entrelaçam, misturam, interagem, assumem novas formas e manifestações. Tornam-se, muitas vezes, indescritíveis. E nós ainda não sabemos lidar com isto. Administrar o caos não é uma tarefa fácil. No fundo, sempre que padrões são quebrados e tradições desfeitas e questionadas, quando nada mais é tão certo quanto era antes, a estranheza que nos sobrevém é natural. Estranheza geralmente acompanhada de rejeição, ceticismo reacionário e uma má vontade para o novo, o diferente. Rejeitamos porque não conhecemos. Tudo que não está no nosso domínio, que é o oposto daquilo a que estamos acostumados, que desafia a ordem comum do nosso mundo - ainda que idiossincrático - tendem a ser repelidas, atacadas e execradas. Antes de tudo, tememos o desconhecido sob todas as coisas. É onde não estamos seguros, onde todas nossas fragilidades se fazem presente, onde podemos ser expostos ao ridículo e descobrir, ainda que a contragosto, o quão somos fracos e limitados. E quem gosta de se expor a isto?



Enquanto escrevo estas linhas, o álbum "Untrue", de Burial, toca suavemente na caixa de som. Difícil imaginar uma trilha sonora melhor, em todos os aspectos, para a atmosfera desta coluna. O principal hype do "dubstep", estilo que por si só concentra uma espessa camada de supervalorização, Burial é avesso à exposição pública, dá pouquíssimas entrevistas, não toca ao vivo e, principalmente - para o que mais nos interessa - pratica uma música indefinível. Mais que isso, se não chega a ser impossível de rotular, tal atitude soa como um reducionismo, uma afronta à riqueza melódica e as estruturas originais que o artista cria. Seu ambiente é pesadamente urbano, basicamente sombrio e mezzo melancólico, ainda que, por poucas vezes, permita a passagem de alguns raios de sol. House, dub, vocal, UK Garage, jungle, drum n' bass, techno, hip-hop, hardcore, dancehall, breakbeat, grime e soul. Tudo isto coberto por boas melodias e programações propositadamente simplórias no aspecto técnico. Ficou perdido?



Burial pratica um dubstep que já vai além do rótulo. Funde estilos estabelecidos com outros ainda incipientes e de definição complicada e duvidosa para se encaixar numa cena também imberbe e, ao mesmo tempo, ultrapassa as fronteiras dela. Percebe no que estamos nos metendo? Na ânsia de tentar definir e encaixar as coisas - um hábito e uma necessidade antiga - criamos inúmeros rótulos angustiados que visam explicar para nossas mentes mecanicistas e pragmáticas, sedentas por algo sólido que possam compreender, por que (o que e como) aquilo é o que é.



É o choque da tradição, do viés maniqueísta - certo ou errado, preto ou branco, bom ou ruim - com o mundo moderno. É como se tentássemos lidar com os novos elementos da sociedade, do comportamento, da música, utilizando a maneira arcaica, enrijecida e ordinária a que estamos acostumados. Há um conflito permanente aí. Uma era que já nasceu, desenvolveu e abarcou a todos e a tudo, o moderno, já expresso no pós-modernismo, convivendo dentro do estreito e limitado, porém forte e robusto casulo das tradições e convenções clássicas, da herança de um século ainda não digerido.



Numa das passagens mais populares de sua obra, ao avaliar como o capitalismo estava modificando a estrutura da sociedade em que vivemos, Marx disse:



"A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. Essa revolução contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes. Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas; As relações que as substituem tornam-se antiquadas antes de se ossificar. Tudo que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas."



Para deixar claro: Marx foi um dos primeiros, e um dos mais brilhantes, a exaltar e reconhecer as maravilhas que o capitalismo criou. Ele não nega esta realidade, contudo, aponta para o centro do turbilhão e identifica os problemas, os ciclos e as peculiaridades deste novo estilo de vida, fundada sob o interesse burguês, classe que ascendeu ao poder principalmente após a Revolução Francesa. Resultando, assim, numa crítica social, filosófica, econômica e conceitual. Encara-lo como um velho utópico e desprovido de valor para os dias atuais só pode ser fruto de pessoas que nunca leram sua obra, não entendem bulhufas do que dizem e estão mais preocupadas em demonizar o socialismo do que qualquer outra coisa. Marx é, antes de tudo, um dos mais brilhantes filósofos da época moderna. Época esta que ressoa e se manifesta até hoje - potencializada, expandida, intensificada - mas plenamente identificável em suas palavras, bem como na de inúmeros outros pensadores "antigos".



O que isto tem a ver com música, afinal?



Tudo.



Ou seria a música uma entidade alheia ao mundo, à sociedade e ao tempo em que está inserida? Ou ficaria ela ilesa ao que acontece a sua volta? Não seria ela passível de influências? Não está imersa nas engrenagens - do mercado, das atribulações, do público, do show, das idéias?



As pessoas, ao terem seu comportamento, sua rotina, seu fator econômico, social, seus meios de comunicação, suas referências, sua alimentação, a noção de tempo, amor, sexo, idade, relações familiares, sentimentais, conjugais, a tecnologia, os filmes, a literatura, as idéias, a moda, a imprensa, o transporte, enfim, a vida, em toda sua amplitude, modificada, abalada, reestruturada, corroída e questionada, também não produziriam música diferente? Os compositores, absorvidos por tal quadro, não sairiam transformados deste processo?



Música, para mim, é extensão do corpo, dos sentidos, da mente, das angústias, desejos, aspirações. É inquieta por natureza. É uma linguagem ampla, poderosa e universal. É puramente matemática ao mesmo tempo que abstrata. Rígida porém livre. Organizada em sua estrutura apenas para ser decomposta e digerida por cada um de maneira peculiar. Mexe com o racional e as emoções. O cérebro e a alma. Traz infindas possibilidades, deixando sempre um impacto por onde passa. É nossa face mais metódica, mas também indefinível e ilimitada. É D'us, em sua essência. É a maior força que tenho notícia.



E, embora este aforismo defina com precisão como a encaro, pensar sobre música e tentar enxergar as implicações que ela traz sobre nós, amantes e cúmplices desta arte, é um exercício delicioso - e necessário.



Ela, como tudo, vêm sofrendo profundas mudanças e alterações ao longo do tempo. A segunda metade do século XX em diante, não por acaso, registrou as maiores inovações e criações que se têm notícia. Tanto em termos técnicos - tecnologia, instrumentos, aparelhagem - como na organização (mercado, gravadoras, produtores, mídia), e principalmente na sonoridade, com inúmeros estilos surgindo, se fundindo, amadurecendo.


Reflexo, apenas, de todas as outras mudanças que a sociedade onde estamos inseridos viveu e vive.



No aspecto sonoro, uma das mais interessantes, ricas e multiformes, não por acaso, é a música eletrônica. Emergida até o tutano dentro do contexto citado, o pós-modernismo, o eletrônico, evoluindo principalmente através dos seminais Tangerine Dream e Kraftwerk, gerou algumas das principais mudanças observadas, embalando toda uma geração e sempre se adaptando, ressurgindo, dando origem a novos filhos, penetrando boa parte do cenário e indo muito além do seu nicho específico. Está presente, ainda que em sutis toques, nos mais variados estilos possíveis. É fruto direto de nosso tempo. E é tão fragmentada, indefinida, corrupta, caótica, urbana e voluptuosa como nossa própria vida, nossa própria forma cambaleante de tatear o escuro, o típico perdido e paradoxal homem moderno. Como o que Burial produz.



Cultuamos o novo, disto não há dúvida. O ode à novidade, às inovações e a tudo que é mais recente, mais fresco, é uma necessidade intrínseca do capitalismo, do mercado, da imprensa e, por extensão, nossa. Portanto, nada mais "natural" que hypes explodam a todo momento, que modas apareçam, que uma banda recém surgida consiga atingir graus de louvação inconcebíveis - nós sempre nos entusiasmamos com novidades - e, muitas vezes, necessitamos de um maior convívio, de uma análise mais demorada, de um envolvimento mais longo, para que nos tornemos um pouco mais sóbrios em relação ao objeto, à música, à pessoa, ao grupo abordado. É o combustível do novo que move o mundo. E, ao mesmo tempo, estamos tão apegados ao "passado", tão tradicionais, tão reféns de convenções, tão reacionários, rechaçando muito do que se apresenta, se anuncia. Somos seres rígidos e secos, obrigados a nos locomover frente a um mundo que é muito mais rápido do que podemos acompanhar. Antes que nos levantemos, já tomamos uma seqüência impiedosa de choques, dados, informações, novidades e "necessidades" na cabeça. Até que atingimos um estado quase fronteiriço entre a vida e a morte, o sonho e a realidade. Até que fiquemos atordoados, sem tempo para reagir. E assim vamos. Vai uma pílula azul aí?



Na música, isto tudo se exprime de infinitas formas. Já não dá para restringir em prateleiras este ou aquele artista, há muito, aliás, é ofensivo tentar encaixar em pequenos currais o que muitas bandas praticam.


Por exemplo, o que você diria de Talking Heads, Mars Volta, Flaming Lips, TV On The Radio, Gang Of Four, Afghan Wigs, Arcade Fire, Manic Street Preachers, Morphine, Beta Band, DJ Shadow, Sonic Youth, Beastie Boys, Pavement, Aphex Twin, Tortoise, Dave Matthews, Faith No More, Wilco, My Bloody Valentine, Neutral Milk Hotel, Asian Dub Foundation, Massive Attack, Mono, Goldfrapp, Broken Social Scene, etc, etc, etc...?



Embora seja possível classificá-los sob certos rótulos, é, como dito, arbitrário e insuficiente restringi-los. Nomes, tanto de décadas anteriores, como da atual, trazem um horizonte amplo e aberto para a música, construindo melodias, estruturas e harmonias muitas vezes anti-convencionais, brincando, no fundo, com as diversas possibilidades existentes.



Movin' Up trata disto: m-ú-s-i-c-a.


Talvez um pouco pretensa a jornalismo cultural. Outsider, inquisitiva, ácida. Mais crítica e menos resenha. Privilegia a discussão e o embate. Mais apontamentos que sentenças. Insinua ao invés de impor. Questiona antes de afirmar. O contexto, não o isolamento. Errônea, paradoxal e moderna. Com orgulho de sê-lo. Consciente, não alienada. Tudo ao mesmo tempo agora. Everything all the time, right here, right now.


É sobre todos os estilos de música que normalmente não encontram lugar nas páginas do Whiplash! e/ou aparecem muito pouco. Tanto para preencher uma lacuna editorial, como para gerar fissuras diversas, quebras, caminhos, relações.



Movin' "On" Up é nada mais do que mover-se, não ficar parado. Sem espaço para a letargia e a acomodação. É a vida, em suma, acontecendo. Como diz a psicologia, quando não consigo apresentar mudanças, oscilações e processos, estou doente. A pluralidade identificatória vai até a morte. O centro da vida psíquica é a ação e devemos reassumir a condição de autor de si próprio, por sermos os construtores do mundo em que habitamos.



Responsáveis - única e exclusivamente - pelas nossas escolhas, aquilo que fazemos. É para pensar tudo isto, e discutir música, em suas infindas manifestações, que esta coluna nasce. O convite está feito. Até breve.


Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br

Jornalismo – Nas Entrelinhas Do Caos

2

Written on 11:19:00 by Maurício Angelo


Eu nunca tive ilusões com o jornalismo. Nunca achei que fosse encontrar um mercado fácil, um curso empolgante, que fosse me maravilhar e ter orgasmos múltiplos a cada aula, cada matéria. Jamais tive a esperança de adentrar uma redação, ter algum talento/esforço/dedicação/interesse reconhecidos, colocar em prática o ideal (suspeito) de “servir à sociedade” e salvar o mundo. Não dou pra super-homem. A realidade é – e sempre foi – um pouco menos colorida. Talvez o jornal não seja preto-e-branco à toa.

Também nunca “decidi” que seria jornalista. Não foi uma decisão mecânica nem um sorteio dentro de um guia do estudante qualquer. Processo natural que culminou num caminho estranhamento óbvio. Sou tarado por informação. Extremamente curioso. Com sede de saber, um pouco mais, daquilo que gosto. Desde novo, a partir dos 10 anos – que me lembro bem – viciado em games e, posteriormente, cinema e música, comprava religiosamente, todo mês, revistas relacionadas a estes assuntos.

E costumava sonhar com jornais prontos frequentemente. Quando ia dormir pensando muito em algo ou querendo saber o resultado de alguma coisa, ou mesmo de modo esporádico, visualizava, perfeitamente, no sonho, toda a matéria de um jornal ou revista, lendo atentamente e acordando achando que aquilo era real! Depois veio, mais forte, a música. E o profundo interesse por ela. Lia, pesquisava, descobria, ouvia, trocava, vivenciava. Paralelo à música, a literatura. Gordinho, tímido, introspectivo, calado, rato de biblioteca, gamer, fascinado por todo aquele universo novo que se desdobrava.

Daí, não sei como nem onde, porque, quem, quando, comecei a escrever. Sem nenhuma pretensão, passei a escrever texto sobre música. Tentando compreender, interpretar e analisar as bandas que ouvia. Para publicá-las na internet, foi um passo. Gradativamente, melhorei, amadureci e me formei na mesma medida em que praticava a escrita, ora, na prática. E aprendi coisas simples na brincadeira: jornalista não é formado, cria-se. E que interesse, pesquisa, curiosidade, cara de pau, leitura, confiança, humildade e determinação são mais do que fundamentais. A faculdade foi conseqüência. Escrever textos bestas como este, também. Aprendi que nada acontece se você não fizer com que aconteça.

Eu nunca tive ilusões. Portanto, nunca me decepcionei. Às vezes, cometo erros propositais, provoco, insisto e bato de frente. Se eu não tiver o prazer de me divertir e incendiar, não tem graça. O engraçado é que o jornalismo, muitas vezes, transita entre o profundamente aborrecido e insuportável, e a imensa satisfação e desejo. Sejamos francos, na mídia tradicional, o jornalismo está morto. Para não ser tão rigoroso, digamos que uns 10% do que é produzido vale – muito – a pena. E tudo aquilo de bom que é feito me faz continuar a acreditar nessa profissão tão maltratada.

Ninguém, em sã consciência, optaria por uma carreira dessa: má remuneração, muitas horas de trabalho, mercado saturado, inchado, insuportável, reino dos jabás, da democracia da cosa nostra, da puxação de saco, disponibilidade quase integral para o veículo, superiores tiranos, nenhuma regulamentação, consciência de classe inexistente e sindicato inoperante, código de ética totalmente desrespeitado, dificuldade de ascensão na carreira, meio infestado de amadores, possibilidades de emprego escassas, estágios não remunerados, mais de 30 mil profissionais formados no país, expectativa média de 10 anos de atuação para os bravamente persistentes, mão de obra gradativamente mais barata, pouco reconhecimento, alta rotatividade e o mercado local, pasmem, ainda mais ingrato e restrito que outros países do mundo.

Afinal, o que leva um ser humano em suas perfeitas faculdades mentais a se formar em jornalismo? Juro que não sei responder a esta pergunta. Talvez uma parte entre iludida com ideais de fama, glamour, sucesso, dinheiro (a realidade de 3% da classe). Outros apenas por ser uma das opções que tinha em mente, curiosidade, sorteio. Outros tantos, ainda, de fato bem intencionados, querendo fazer um bom trabalho dentro do “quarto poder”. E outros, simplesmente, porque não se imaginam fazendo outra coisa na vida – parcela dos quais me incluo. Mas sei que a possibilidade é simplesmente, real.

Pior. No jornalismo, muitas pessoas atuam porque acham que podem fazer o trabalho que um profissional faria. Afinal, escrever, está aí, ao alcance de todos. Um release, uma notícia, uma “crítica”, uma matéria, uma entrevista…todos acham que com um pouco de interesse consegue “dar conta”, levando muita gente que passou longe de uma formação acadêmica a atuar na área e roubar vagas de quem, em tese, deveria as estar ocupando. Há um problema sério nisso: jornalismo, realmente, não se aprende na universidade. Ela não chega a ser inútil, mas o principal, a parte funcional da profissão, que nos é ensinado na teoria e na prática, não chega a ser um mistério. É inconcebível (e a sociedade não aceita, bem como os conselhos de cada profissão não permitem, órgão inexistente no jornalismo) que um engenheiro, médico, professor, advogado, economista, etc, atuem sem terem um diploma. Além de ser uma profissão que se regulamentou tarde, herdando muitos profissionais antigos, formados na prática, todo mundo acha que pode fazer o trabalho que um jornalista faz.

Vai piorar: muitos cursos superiores, seguindo as mudanças das normas do MEC, passarão a ser de apenas 2 anos, englobando somente a parte técnica do jornalismo e excluindo as disciplinas “humanas”, de formação, reflexão, teoria, cultura. Além de isto aumentar a velocidade com que supostos “profissionais” são jogados no mercado, ainda destrói a já precária formação acadêmica de um repórter. Se ter a capacidade de pensar e refletir, o arcabouço teórico e o background cultural já são predicados escassos, os verdadeiros macacos que sairão destas instituições conseguirão a proeza de estar incontáveis níveis abaixo dos símios que hoje são formados. O grosso, as “técnicas” do jornalismo são tão óbvias e fáceis que muitas vezes, pra mim, tornam-se insuportáveis. É preciso descer alguns níveis, transmutar-se num ser um pouco mais burro do que já é para fazer tal matéria. E isto é difícil. Parece engraçado, ou exagero, mas não é. A inteligência, no jornalismo, não é muito bem vinda (muito menos do que seria saudável ou se gostaria de admitir).

Se o prospecto é ruim, e tende a se agravar, só me resta parafrasear o REM: este é o fim do mundo, como o conhecemos, e eu NÃO me sinto muito bem.

Mas não é só apocalipse que resta.

Na verdade, além de utópico e um pouco masoquista, o jornalista encontra alguns benesses na profissão, mas, sobretudo, há o prazer de escrever, conhecer, divulgar, encontrar coisas novas, excitantes, desafios diários entre a pressão, o mau humor, os goles de café, a saúde que vai pro ralo e o salário risível no fim do mês. Mesmo com tudo, consegue ser uma profissão fascinante, divertida, curiosa, recompensadora.

Há pessoas que tem isso no sangue. Que nasceram com palavras correndo em suas veias. Com uma sede impetuosa de conhecimento, informação, cultura…e de compartilhar isto. Como sempre, o que não encontra muita racionalidade, a paixão explica. Uma parte de inclinação, também.

Vivemos em dias estranhos, disse Jim Morrison há mais de 40 anos atrás. Atualmente, isto parece mais “verdadeiro” do que nunca. Há que se ter persistência, desejo, ímpeto, força…e competência, ânimo. Crescer dando murro em lâmina. E melhorar com isso. Não sei como a equação se resolve, repito, “é como se você pegasse o ontem, o hoje, e o amanhã”. Não dá pra dizer o que irá acontecer. E esta, afinal, é a graça da vida.

“Strange days have found us
Strange days have tracked us down
Theyre going to destroy
Our casual joys
We shall go on playing
Or find a new town

Yeah!

Strange eyes fill strange rooms
Voices will signal their tired end
The hostess is grinning
Her guests sleep from sinning
Hear me talk of sin
And you know this is it

Yeah!

Strange days have found us
And through their strange hours
We linger alone
Bodies confused
Memories misused
As we run from the day
To a strange night of stone”

Bookmark and Share
Digg! BlogBlogs.Com.Br