Stanley Kubrick em 8 minutos
Written on 14:38:00 by Maurício Angelo
Posted in Cinema |
Não conhece o Muse? Ouça agora e repare este erro imperdoável na sua vida musical. Difícil escolher entre uma discografia tão sólida e, mesmo semelhante em proposta, variada o suficiente: Showbizz, Origin Of Symmetry (talvez meu preferido), Absolution e Black Holes And Revelations.
Cabeçudos, pesados, megalomaníacos, sutis, progressivos, indie's, divertidos, pop, exagerados. Com um dos concertos mais interessantes do mundo, pela música em si e pela produção. Não se sabe se todo o aparato de palco virá ao Brasil, mas, para intensa felicidade de quem conhece, e gosta, o grupo acaba de marcar três shows no país:
30/07 - Vivo Rio, Rio de Janeiro
31/07 - HSBC Brasil - São Paulo
02/08 - Porão do Rock - Brasília
Venda o que tiver, peça esmola, leiloe a mãe, mas dê um jeito de ir. Tá avisado.
Posted in Notícias Mundo |
O Terminal Guadalupe, de Curitiba/PR, uma das bandas que melhor tem explorado a internet e novas formas de divulgação como plataforma para sua música, "pop de garagem", e que fez um bom barulho na cena independente ano passado com "A Marcha dos Invisíveis", acaba de anunciar que o baixista Rubens K está fora do grupo, sendo substituído por Luciano Aires, o "Marano". Segundo release, Marano já começou a ensaiar com o grupo e vem de uma série de projetos, indo de bandas de hardcore a música brasileira calcada em forró e tropicalismos.
1. Pernambuco Chorou
2. Atalho Clichê
3. Lorena Foi embora
4. El Pueblo No Se Va
5. Praça de Alimentação
6. Esquimó Por Acidente
7. Torres Gêmeas
8. Megafone De Bagdá
9. Recorte Médio-Oriental
10. Bons Meninos Vão Para O Inferno
11. As Cinco Horas Da Jornada
12. Síndrome De Estocolmo
13. De Turim A Acapulco
14. A Marcha Dos Invisíveis
15. O Peso Do Mundo
Posted in Cena BR |
Festival OutroRock - Matriz - 07.06.08
Belo Horizonte é um lugar estranho. Quem olha de fora pode achar que um estado com tanta tradição musical produz bandas de qualidade aos montes e tem uma cena forte e bem estruturada, com casas, eventos e iniciativas conectadas com outros pólos do país. Nada mais enganoso. Em sua maioria, as bandas mineiras apostam em covers de clássicos do rock e contemporâneos do metal, lotando (com sorte) clubes e bares destinados a isto. O próprio Matriz é estigmatizado como local onde bandinhas de metal, gótico e "hardcore" de qualidade duvidosa se apresentam toda semana, quase sempre às 2 da tarde. A capital mineira está infestada de covers de tudo quanto é nome que você puder imaginar. E pra piorar, pouquíssimas delas prestam.
Felizmente, bandas alternativas começaram a ter coragem de produzir material próprio (e acreditar nisto), gerando o embrião de uma cena independente ainda crua e trôpega. O coletivo Fórceps é um dos grupos que trabalham para mudar o quadro. Na noite do último sábado subiram ao palco do Matriz o Fusile, com seu indie rock bastante calcado em Pixies, trazendo a adição interessante de um trompete e o Nuda, de Recife, já entrevistado anteriormente no site.
Primeiro show fora do circuito nordestino, o grupo iria apresentar seu som, já "estranho" em primeira instância, para um público indefinível, variando entre indie's blasé e curiosos perdidos. Fauna mista que gerou um momento cômico: pessoas mandando um "break" improvisado enquanto o DJ Chris Foxcat executava rocks alternativos nas pick-up's. Prenúncio do que viria?
"Colibrilho" iniciou a apresentação e deu o tom do azeite psicodélico que lubrifica as bases desse conjunto tão singular em sua coragem e idiossincrasia. Nem o som instável do Matriz e os tradicionais (pequenos) problemas técnicos atrapalharam. No meio da catarse, eventuais escorregões são transformados em oportunidade para destilar o rock jazz regional popular (!?!?!) destes malucos, conseguindo fazer com que isso funcione muito bem ao vivo.
Judá tem participação vital nas percussões. É ele que puxa o instrumental para um plano etéreo e ao mesmo tempo brasileiro, contribui para o swing negro que este bando de branquelos exala. Rapha (voz/guitarra) e Dossa (guitarra/violão) se revezam em bases polivalentes e todas as cores que explodem das caixas de som. A cozinha de Henrique (baixo) e Scalia (bateria) termina o tempero com punch, quando é preciso, e uma deliciosa salada rítmica que não peca pelo excesso nem vai além do necessário.
Assim, composições como a profética "Alumia" e a nova e auto-explicativa "Oníricas", crescem e se formam. A cadenciada (e romântica) "Duns" - traços de forró? - é um pequeno exemplo da beleza poética que escorre das letras, banhando-as de uma simplicidade enganosa, tão cativante quanto única. "Do par, a parte que me toca, não te toca caber não, pra que arrebanhar o vasto, se eu já desvendo encanto à imensidão? Você é tão...não sei te definir, é como luz brincando cor, se o par é um dois ou se ele é dois um, melhor brincar de sermos duns."
"Ode Aos Ratos", releitura de Chico Buarque, impressiona pela escolha e caracterização, ficando tão "Nuda" quanto qualquer outra de autoria própria. Já "Fato: Mamado Vado" é "a" peça final, krautrock e bossa nova em plena combustão, na música de maior peso e mais intensa do repertório. Como contraponto, a última é a também inédita "A Maré Nenhuma", um samba de respeito, flertando com o clássico, mas perfeitamente original, transformando tudo em festa.
A impressão que fica é que, apesar de estar em início de carreira, dando os primeiros passos, a Nuda surge com uma qualidade e uma proposta criativa e felizmente orgânica, soando natural, deixando suas composições e sua energia fluirem, em CD e no palco, além das letras que dificilmente encontram comparativos entre os grupos atuais. Um show à altura do talento que possuem.
Quanto ao "urso do cabelo duro"? Melhor não explicar. Uma dessas coisas esquizofrênicas que só o cenário "alternativo" proporciona. Sorriso e choque misturados ante a simples surpresa do que sai das mãos, da boca e da cabeça daqueles cinco caras presentes ali. Uma ciranda dos sentidos onde todo mundo é convidado a entrar.
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